
Vítor Pereira Presidente da Câmara Municipal da Covilhã (2013-2025)
Orgulho Coletivo
A candidatura da Covilhã a Cidade Criativa da UNESCO procura, por um lado, integrar as componentes académicas e formativas com a vertente expositiva, produtiva e empresarial do Design e, por outro lado, sensibilizar todos os públicos para a realidade e o desempenho do Design na melhoria da qualidade de vida, ao refletir-se na otimização energética e das condições do habitat, no uso responsável dos recursos disponíveis, no desenvolvimento da mobilidade e nas dinâmicas de relação entre a cidade e o campo, com grande importância ambiental e social.
Através do Design e das artes, a Covilhã pode enquadrar toda uma estratégia de reabilitação urbana, aumentar a atratividade cultural, económica e turística, tanto da cidade como do território circundante, e o seu PIB, designadamente no setor das indústrias criativas, com efeito transformador nos modelos de produção e de consumo.
Afirmar a Covilhã como uma cidade de cultura, conhecimento, investigação e inovação é a meta que deverá sustentar e orientar políticas e estratégias públicas, com o envolvimento de todas as entidades (empresas/instituições) e especialistas, as comunidades escolares e universitária, bem como a Comunidade em geral..

Regina Gouveia Vereadora com o Pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Covilhã
Cidade (sempre) Criativa
A pretensão de a Covilhã integrar a Rede de Cidades Criativas da UNESCO na área do Design radica na história local, no orgulho coletivo relativamente a um passado em que o epíteto de Manchester Portuguesa salientou a primazia e o vanguardismo da nossa indústria têxtil e dos lanifícios. No entanto, os argumentos a favor desta ambição distribuem-se no presente por outras subáreas do Design, aquelas em que a nossa Universidade desenvolve formação superior, investigação e transferência de conhecimento, bem como nas áreas artísticas em que possuímos distintos talentos.
Pertencer a uma rede mundial, que elege a Criatividade como fator estratégico para o desenvolvimento sustentável e a inclusão social, permitirá a abertura a mais «mundos», potenciando a nossa identidade e o nosso território. A aposta numa área transversal e abrangente como o Design, privilegiando a reciclagem/reutilização de produtos e materiais e a configuração de novas paisagens através de processos criativos contemporâneos que evidenciem a relação entre a arte, a cultura e o meio físico, contribuirá também para a valorização da Natureza, tanto mais que a Covilhã é a principal porta para a Serra da Estrela, Geopark Mundial da UNESCO.

Mario Raposo Reitor da Universidade da Beira Interior (2021-2025)
Arte, Engenho, Criatividade e Espírito Empreendedor
A Covilhã e suas gentes ao longo da história sempre revelaram arte, engenho, criatividade e espírito empreendedor necessários para contribuir com sucesso para o prestígio do país, para a epopeia dos descobrimentos, para o desenvolvimento de uma indústria de lanifícios e, mais recentemente, para acolher uma universidade que, funcionando como um ator disruptivo, a está a transformar numa cidade do conhecimento.
Neste contexto, a cidade é hoje palco do desenvolvimento de estratégias políticas e iniciativas destinadas a fazer do conhecimento, da cultura e da criatividade um motor da regeneração urbana e do desenvolvimento económico sustentável. Podemos, assim, antecipar uma alavancagem do crescimento, da inovação e da sua contribuição para uma maior coesão social e para o bem-estar dos cidadãos.
Revejo-me, deste modo, como apoiante confesso, na candidatura da Covilhã a Cidade Criativa da UNESCO na área do Design.

Rui Miguel Presidente do Conselho Estratégico da Candidatura
Covilhã, fábrica de criatividade e inovação
A candidatura da Covilhã a Cidade Criativa da UNESCO em Design é o corolário natural da importância que a indústria de lanifícios tem representado na história social, económica e cultural da cidade. O debuxo dos tecidos tem sido reconhecido ao longo dos anos como a alma da atividade industrial, influenciando por osmose o comportamento da sociedade. Assim, o design tem estado presente nas fábricas e na cidade, de uma forma espontânea, genuína e orgânica, embora sem se ter essa consciência, numa altura em que a intervenção do design não tinha ainda a intensidade e abrangência que tem hoje.
O design, enquanto mediador, continuará a ter um papel motor no palpitar da “cidade fábrica” e no seu desenvolvimento sustentável, potenciado agora pela condição da Covilhã como “cidade universitária”. Esta importância da mediação responsabiliza também o design pela valorização da dimensão intangível que compreende um conjunto rico de símbolos associados à indústria da lã, os quais representam uma forte herança cultural e constituem o impulso fertilizante da “fábrica” da criatividade e inovação.

Isabel Damasceno Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro
Covilhã, fábrica de criatividade e inovação
A Rede de Cidades Criativas da UNESCO fortalece a cooperação entre as cidades que reconhecem a cultura e a criatividade como um dos fatores estratégicos para o seu desenvolvimento.
Hoje, mais de metade da população mundial vive em áreas urbanas e três quartos da atividade económica é aí que se concentra. A aposta e presença nas cidades, de uma classe cultural e criativa, tem sido um catalisador da regeneração urbana de algumas cidades nacionais, europeias e mundiais. Estas cidades, ao apostarem na cultura e na criatividade como fator de desenvolvimento, contribuem para a diversificação da economia, para a geração de novos empregos, e, portanto, para a qualidade de vida dos seus cidadãos.
As cidades criativas são recursos fundamentais e decisivos para o desenvolvimento económico, constituindo-se como uma vantagem competitiva para uma região. A candidatura da Covilhã a Cidade Criativa da UNESCO em Design é um desiderato a que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro se associa, consciente que o ambiente criativo e inovador que já se experimenta na cidade será uma mais valia para esta candidatura.

Suzana Menezes Diretora Regional de Cultura do Centro
O caminho da Cidade
A construção de uma cidade faz-se em múltiplos planos, do estruturalmente físico ao imaterialmente simbólico, sustentando-se no seu capital humano, no seu passado e presente, no conhecimento e na informação, na educação e na capacidade criativa e de inovação social e, de igual modo, em políticas públicas estruturantes que desenham e alicerçam um caminho e desígnio comuns.
O desenvolvimento da candidatura “Covilhã, Cidade do Design” representa precisamente um momento de edificação, de construção coletiva, de caminho comum que será traçado através da criatividade e da inovação enquanto fatores estratégicos de desenvolvimento sustentável. Atuando sobre um conjunto muito diverso de temas e preocupações e evidenciando a importância da educação, da inovação, do empreendedorismo empresarial, cultural e social, da sensibilidade estética e do pensamento criativo, da diversidade cultural, do acesso a diferentes formas de expressão criativa e, bem assim, da promoção do design enquanto atividade eminentemente criativa, a Covilhã reinventa-se, neste momento decisivo da sua história, através do seu ethos criativo, tecendo novas ligações entre o mundo da inovação e da cultura, entre a arte e as tecnologias, entre a criatividade e o setor empresarial.
Deste modo, é uma honra para a Direção Regional de Cultura do Centro fazer parte deste momento especial da história da Covilhã, cujo impacto cultural, social e económico estará muito para além dos seus limites geográficos, e poder colaborar com uma candidatura que estimulará tão profundamente a Região Centro.

José Maria Silva Rosa Presidente da Faculdade de Artes e Letras
Universidade da Beira Interior
Opportūnum Dēsignium
O famoso orador e filósofo romano Marco Túlio Cícero cunhou o provérbio segundo o qual «nenhum vento é oportuno para quem não sabe aonde quer ir». Inversamente, para quem sabe aonde quer ir todos os ventos, mesmo os desfavoráveis, são oportunos (opportūnus) por, no final, nos conduzirem a bom porto — experientes sejam os pilotos ao leme.
Saber para onde se quer ir significa ter um desígnio, termo que nos chega do latim medieval como designum > designium, no qual se manifesta a inesgotável riqueza do signum do latim clássico e a imensa galáxia de sentidos que deliberadamente entrelaçam desígnio, enquanto ideia reguladora e propósito, com o desenho e o esboço de algo concreto que começa a ganhar forma / figura tangível sob a mão do designer (v.g., dēsignō, dēsignātiō, dēsignāre, dēsigniā, etc.), riquíssimo filão que alimentou e debuxou, depois, muitas das subtilezas criativas da semântica novilatina: disegnare, disegno, desen, dessin, dessein, diseño, diseinu, design, desenho… Existe, de facto, como observava P. Valéry, uma diferença imensa entre ver uma coisa sem o lápis na mão, e vê-la desenhando-a. O espírito vê antes. Mas é a mão que, a seguir, acaricia e desposa a forma. No âmbito do Design, o desígnio também se declina como desejo (dēsīderium).
A Covilhã tem um designium, isto é, sabe de onde vem e sabe para onde quer ir. Temos bons pilotos ao leme. Prova disso, entre outros sinais eloquentes, é a presente candidatura a Cidade Criativa da UNESCO na área do Design (Sustentável). Tecer o futuro é começar desde já a desenhá-lo, aproveitando as oportunidades. A Faculdade de Artes e Letras da UBI, a que presido, associa-se de bom grado e tem a subida honra de participar ativamente neste superior desígnio da Cidade de que faz parte, até porque a FAL > UBI muito tem feito para dar unidade, coerência e competitividade à paleta de Designs que, no Departamento de Artes, oferece em todos os seus ciclos de estudo (Licenciatura, Mestrado e Doutoramento): Design Industrial, Design da Moda, Design Multimédia, Design de Jogos Digitais, Branding e Design de Moda. Ao que se junta um Doutoramento em Media Artes. Sei que um bom porto nos espera.
Brindemos!

António Fidalgo Reitor da Universidade da Beira Interior
(2013-2021)
O compromisso da Candidatura
A harmonização do desenvolvimento económico com a qualidade de vida, sustentabilidade e inclusão social é um dos principais desafios sociais contemporâneos, que obriga instituições e sociedade civil a reinventarem-se e a promover sinergias.
No âmbito da ligação à sociedade, espera-se que as universidades colaborem nessa harmonização, promovendo a difusão e transferência do saber e da tecnologia e da sua valorização económica, mas também fomentando a reflexão sobre os problemas sociais e a forma de os resolver, impulsionando a transformação social, cultural e económica.
É nessa medida que a Universidade da Beira Interior assumiu o compromisso de participar no processo de candidatura da Covilhã a Cidade Criativa da UNESCO em Design, colocando-se, uma vez mais, ao serviço da cidade que a acolhe, no sentido de colaborar na sua reinvenção e de melhorar a qualidade de vida dos que nela habitam, consciente de que a cultura, a inovação e a criatividade são determinantes para a criação de cidades mais cosmopolitas, abertas e tolerantes.

Joaquim Brigas Presidente da Associação Geopark Estrela
Geopark Estrela e Covilhã, a mesma luta!
A candidatura da Covilhã a Cidade Criativa da UNESCO em Design insere-se na mesma lógica, e partilha a mesma dinâmica, que levou a região da Serra da Estrela a candidatar-se e a ser oficialmente classificada pela mesma UNESCO como Geopark Mundial.
Por essa razão, a Associação Geopark Estrela apoia esta candidatura que quer aprofundar a orientação da Covilhã – Cidade Fábrica para a criatividade, para a inovação e para o desenvolvimento sustentável!
Na verdade, dinamizar o potencial geológico da Serra da Estrela, bem como o seu património natural e cultural, visa os mesmos objetivos que a aposta da Covilhã na integração do design nas cadeias produtivas, na produção do conhecimento e nas interações e comunicações na cidade. Esses objetivos são o crescimento económico, a reabilitação urbana, a transformação digital, a transição energética, a valorização dos produtos endógenos e a captação de redes de investimento.

Pedro Machado Presidente da Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal
Um reconhecimento justo
É um privilégio para a Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal poder abraçar com entusiasmo a candidatura da Covilhã a Cidade Criativa da UNESCO em design. Poucas situações haverá em que uma candidatura é tão justa e acertada. A Covilhã, cidade-fábrica mundialmente famosa pelos seus lanifícios, fervilha hoje de criatividade, inovação e dinamismo cultural e artístico, numa tendência que tem merecido os maiores reconhecimentos a nível nacional e internacional.
Para o turismo da região Centro, e do país, esta candidatura surge na melhor hora. O selo de Cidade Criativa da UNESCO constitui um elemento distintivo e gera um impulso na procura por parte dos visitantes, colocando a Covilhã e a Serra da Estrela no lugar de destaque que merece enquanto polo de atração.
É da mais elementar justiça, portanto, que a Covilhã se junte em breve às outras quatro Cidades Criativas da UNESCO no Centro de Portugal: Óbidos, na literatura; Caldas da Rainha, no artesanato; Idanha-a-Nova e Leiria, ambas na música. Com isso, é toda a zona das Beiras e Serra da Estrela – e as comunidades que aqui vivem e trabalham – que sai beneficiada.

Francisco Paiva Director Executivo da Candidatura
Covilhã, Cidade do Design
Na afirmação da Covilhã como cidade do conhecimento e da inovação, a matriz projectual do Design assume especial pendor estratégico, com impacte virtuoso no ecossistema cultural, social, económico e ambiental da região. Do construído ao espaço público, dos equipamentos aos serviços, da interacção e literacia digital à indústria e aos transportes, da água à infraestrutura verde e à energia, todos estes sectores se encontram muito dependentes da capacidade de projectar um Futuro convergente com as metas de descarbonização e re-industrialização perspectivadas pelos novos fundos europeus, que almejam precisamente fortalecer as relações entre Ciência, Tecnologia, Arte e Cultura, paradigma em que o Design será um poderoso mediador.
Através do Design e numa matriz transdisciplinar, a candidatura da Covilhã a Cidade Criativa da UNESCO promove um compromisso activo e sistémico com a criatividade, a inovação, a ecologia, a inclusão e a transformação social, contribuindo de forma decisiva para o estudo, a regeneração e a refuncionalização urbana e patrimonial, em linha com os desafios do nosso tempo. Neste quadro, a plataforma Covilhã, Cidade do Design integrará valências atinentes à programação geral e sectorial, dividida por seis eixos de intervenção: 1. Design, Indústria e Artesanato; 2. Design Têxtil e Moda; 3. Design, Cidade, Território e Ambiente; 4. Design, Cultura e outras Artes; 5. Design e serviços digitais e 6. Educação para o Design e Cidadania.

Nota de pesar por Ana Gonçalo
É com profunda tristeza que a Candidatura da Covilhã a Cidade Criativa da UNESCO em Design comunica o falecimento de Ana Gonçalo, designer, artista e investigadora talentosa que integrou desde a primeira hora o Conselho Estratégico desta candidatura, apresentando sentidas condolências à família e amigos/as.
Ana Gonçalo destacou-se particularmente nos domínios do design gráfico, têxtil e multimédia, área em que se licenciou pela Universidade da Beira Interior. Iniciou a sua vida profissional como debuxadora na empresa A Penteadora, em Unhais da Serra, tendo os seus projectos merecido amplo reconhecimento da comunidade e do meio cultural, de que são exemplo os prémios pelas identidades visuais do Teatro Municipal de Bragança e do Município da Covilhã. A par da actividade no Cinco Atelier, um espaço de criação colaborativo no centro da cidade, em que prestava serviços de design, comercializava os seus produtos e ministrava workshops, Ana Gonçalo integrava ainda a direção do New Hand Lab e desenvolvia investigação sobre o tema das Poéticas Têxteis: Analogias e Códigos Visuais, no âmbito do Doutoramento em Media Artes da UBI. Labor este que tangia o núcleo conceptual desta Candidatura, muito devedor ao seu exemplo.
